Posso não concordar com nenhuma das tuas palavras, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-las. (Voltaire)

Isn't personal. Just Business.

sábado, 12 de maio de 2007

Cotas

Recebi esta semana a revista Super Interessante deste mês, e entre os vários artigos, chamou-me a atenção o que fala sobre cotas em universidades. O texto cita que "mais de 40 universidades já reservam vagas para alunos negros". Frei David, diretor da ONG Educafro, diz: "Defendo as cotas porque ainda não me apresentaram uma proposta melhor para promover a inclusão", colocando a questão das cotas como uma "medida drástica para reverter a desigualdade racial". Outros argumentos pró-cotas equiparam o tema às vantagens dadas aos deficientes – que têm os melhores lugares em estacionamentos, por exemplo, o que aceitamos sem reclamar – e afirmam que deveríamos reagir similarmente no caso do privilégio das vagas destinadas à raça negra.

Sou Negro. E desejo muito passar no vestibular para o curso de direito da UFAC. Desconheço se tal sistema já foi implantado em nossa universidade federal. Mas, caso tenha sido, renunciaria à vaga se passasse no processo seletivo amparado por uma medida segregacionista como essa.

Venho de família pobre, mas não sou um coitado. Desde cedo minha mãe me incutiu o valor do estudo, mesmo ela própria não tendo muita instrução. E trabalhou arduamente para que eu pudesse estudar. Já adolescente, trabalhava e estudava, quer no ensino médio quer no superior. Tinha assimilado o exemplo.

Na escola pública, aproveitei ao máximo o mínimo oferecido. Não que minhas notas tenham sido as melhores, mas foram suficientes.

Moral da história: Quem quer, vai à luta. O papel do governo não é o de criar remendos inúteis para grandes problemas, mas sim atacá-los desde a raiz. Como? Por exemplo:

  • Investimento em programas sociais que resgatem na família a responsabilidade de outrora para com a educação. O que assistimos hoje são pais e/ou mães tratarem a escola como creche. Não planejaram dar à luz um filho, tampouco como educá-lo, deixando essa responsabilidade quase que inteiramente para as instituições de ensino;
  • Investimentos progressivos na qualidade do ensino, em material e em pessoal, permitindo a todos que dependem de escola pública uma bagagem cognitiva próxima da disponível em escolas particulares.

No mesmo artigo da Super Interessante, é digno de nota o exemplo da África do Sul. Lá, governo (com "bolsas universitárias que beneficiam 100 000 jovens por ano") e universidades (criando "cursos preparatórios que ajudam o aluno a suprir os requisitos da educação superior") não beneficiaram especificamente nenhuma raça, mas investiram na educação pública com o objetivo de aumentar o número de alunos negros. O resultado? "Em 1994, negros formavam 47% do corpo estudantil. Em 2006, 71%".

Nenhum comentário: